A contabilidade é o ato de registrar os eventos econômicos, juridicamente perfeitos, de uma entidade. A quantidade desses eventos pode variar entre algumas dezenas a vários milhões num único dia, a depender do porte do empreendimento. Logo, além da técnica de aglutinação de registros, o bom contador precisa conhecer os múltiplos fundamentos de natureza econômica e do direito (empresarial, trabalhista, tributário, criminal etc.) aplicáveis às operações da entidade que cuida, seja empresarial ou não.
A contabilidade é também a linguagem universal do controle e da gestão de empresas e governos. Nas multinacionais sérias e bem administradas mundo afora, os CFOs têm diploma de contador. Reconhecem a importância dessa técnica, uma espécie de âncora dos controles, que aprimora a precisão e a confiabilidade das mais diversas informações operacionais e estratégicas de um empreendimento. Você já reparou que toda empresa quebrada não tem contabilidade confiável?
No Brasil as pessoas se acostumaram a ver os contadores apenas como especialistas fiscais e/ou trabalhistas, temas comuns e recorrentes de seu cotidiano. Uma ignorância técnica compreensível, como aquelas quando nos automedicamos... Mas, quando falamos da gestão governamental, como contador percebo logo o potencial de sujeira e corrupção inerente à coisa pública. Vem-me também a dúvida quanto à seriedade do TCU, órgão máximo de monitoramento contábil do país, onde nenhum ministro é contador. Há ali diplomados como advogados, médicos e até veterinários, mas apenas um modesto técnico contábil (ver quadro). Se no STF todos os ministros são diplomados em Direito, por que não há nem um ministro contador no TCU?
Logo, como
pode, no caso do traquina e piramidal Banco Master, interditado apropriadamente pelos
especialistas do BC, ter questionada a sua contabilidade pelo ministro Jhonathan
de Jesus? Que diabos teria também o ministro Toffoli, do STF, a ver com isso?
Ambos, com Alexandre de Moraes, tomaram decisões que mostram, claramente, haver
interesses criminosos e não republicanos nesse caso.
A contabilidade das instituições financeiras
carrega uma sofisticação específica, e o BC conhece bem o seu ofício, ainda que
seja negligente na apuração tributária das instituições que monitora.
Não confio no
TCU, sob nenhum aspecto. Menos ainda nos TCEs e TCMs. São cabides de empregos
para amantes e comparsas.
Parece-me claro
que, se esses três ministros não forem investigados, em especial Jhonathan e Toffoli,
o STF e o TCU estarão irremediavelmente manchados, como ainda não estiveram.
O nosso país
precisa de uma verdadeira revolução em sua governança. Chega de parecermos republiquetas.

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