Por Ricardo Negreiros.
“Então Deus os abençoou (homem e mulher) e lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes
do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a
terra.” (Gênesis, 1,28.)
É um contrassenso muito grande acreditarmos num deus de amor que possa
ser insensível à sua mais bela e sofisticada obra: os animais. Rogo aos céus
que o que lemos nessa frase, no capítulo inicial da história mais maravilhosa
já escrita, a de um deus que nos acompanha e ama, seja apenas um daqueles descuidados
erros de “tradução”. Acredito firmemente que a “tradução” correta da mensagem
de Deus possa ser algo assim:
“Então Deus os abençoou (homem e mulher) e lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos; enchei a terra e cuidai-a; amai também os peixes
do mar, as aves do céu e todos os animais que se arrastam sobre a terra.”
É apenas uma questão de lógica simples. Em havendo um Deus maravilhoso,
que criou a tudo e a todos, que deu aos animais instintos, habilidades e até níveis
de compreensão muito parecidos com os nossos, mas especialmente emoções e sentimentos
idênticos aos que temos, como amor, afeição, apego, simpatia, orgulho,
humilhação, medo, tristeza, raiva, saudade, depressão, euforia bem como
praticamente todos os outros, como pode fazer sentido que sejam desprezíveis criaturas subjugáveis? Como podemos querer tratá-los
com crueldade e descaso? Como querer “sujeitá-los”? Para que “dominá-los”?
A mesma relação de domínio podemos exercer sobre os mais fracos –
crianças, idosos, doentes etc. Mas o que fazemos? Ajudamos (em geral). Em passado recente havia inclusive a percepção de superioridade em relação aos nossos irmãos negros, que eram tratados como escravos. Faz algum sentido maltratar a quem quer que seja? Claro que
não.
Somos todos nesse planeta detentores de ferramentas mentais (cerebrais)
impressionantes e valorosas. Somos todos seres incrivelmente fantásticos, desde
os pequenos pássaros às enormes baleias. Logo, a verdade é que há uma grande responsabilidade
na humanidade em proteger as riquíssimas fauna e flora imensamente preciosas
que nos rodeiam. Creio que seja a única forma de justificar a nossa existência.
Mas a verdade é que continuamos com essa miserável empáfia de “superiores”.
Vimos, por exemplo, o pastor evangélico e senador Magno Malta se vangloriando várias vezes de
sua suposta superioridade em relação aos animais, defendendo vaquejadas,
criticando os protetores de animais etc. Particularmente não ligo para o que
gente ignorante fala. Prefiro mirar bem mais alto, em pessoas com qualificação
intelectual muito mais ampla e profunda. Observe o que os mais renomados
cientistas dizem sobre o tema:
Ainda que já haja no mundo científico esse tipo de sofisticada e fundamentada argumentação reconhecendo a consciência dos animais,
infelizmente muitos governantes fazem de conta que não têm valor. Porém, o cinismo, a estupidez e a ignorância não são posições exclusivas de líderes de países subdesenvolvidos.
EUA, Europa, Japão etc., todos também agem de forma insensível e brutal com os animais, negligenciando o seu sofrimento. São muitas as notícias de crueldade. (Ver https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2017/03/12/animais-de-corte-exportados-na-europa-sao-espancados-e-eletrocutados.htm).
A crueldade contra a vida e os maus tratos estão em todo lugar. Nem falo aqui dos imbecis psicopatas
que a todo dia fazem maldades intencionais com animais indefesos.
Porém é preciso transcender e lutar contra tudo isso. É preciso refletir sobre o nosso verdadeiro papel nesse planeta e reconhecer o profundo amor de Deus por toda a sua obra, sem exceções.
Amém.
(Recomendo complementar a avaliação desse tema com o meu post:
https://reestruturador.blogspot.com.br/2016/04/ensaio-sobre-vaidade-soberba-raiva-e.html )
(Recomendo complementar a avaliação desse tema com o meu post:
https://reestruturador.blogspot.com.br/2016/04/ensaio-sobre-vaidade-soberba-raiva-e.html )


Comentários
Postar um comentário