Se todo mundo for empreendedor, quem vai limpar as
lixeiras e o banheiro? Quem vai operar a laminadora? Quem vai operar a
dobradeira de tubo? Quem fará a manutenção elétrica da fábrica? Quem vai
consertar a ensacadora? Quem vai apurar as horas extras e emitir o contracheque?
Quem vai receber os pagamentos dos clientes?... E por aí vai.
Entre os sete irmãos do meu pai apenas um não trabalhava
para o Estado, pois era dona de casa. Banco do brasil, Petrobras, Exército, uma
tradição grande por concursos que ainda de certa forma existe. Porém nos últimos
30 a 40 anos o Brasil começou a tomar um ótimo gosto por empreender. Vemos hoje
muitas empresas, de diferentes ramos, que têm por volta dessa idade, como a
GOL, o Habib´s, Banco Pactual etc.
Dessa onda inicial vivemos outra agora, com as
chamadas start ups e suas enormes ambições
de sucesso. Em busca de fórmulas fáceis rumo ao bilhão de reais, como por
operações de MVP (Minimum Viable Product),
que significa produto mínimo viável, ou seja, pouco investimento e altíssimo
retorno. O problema é que só se conhecem e se discutem os casos de sucesso. Ninguém
fala, lembra ou explora os incontáveis casos de insucesso que estão por aí.
Mas meu interesse aqui é de aspecto educacional. Basta
olhar para o meu (tipicamente tosco) gráfico para nos lembrar que no ambiente econômico
não existe apenas a posição do empreendedor. Existem muitas posições intermediárias
entre os iniciantes e os mais experientes. Há pirâmides de carreiristas gerando riqueza para nuvens de investidores por meio de elétricos empreendedores.
Mas o que as escolas e faculdades estão explorando?
Apenas a posição do topo. Apenas discutindo o Empreendedorismo. Será que não deviam
lembrar que a grande massa que sai das escolas e faculdades vão e precisam se
tornar o corpo da pirâmide? Não deveriam lembrar que há também ótimas
oportunidades intermediárias, inclusive formas de chegar ao topo do empreendimento de outros?
Lido com empresários há muitos anos. Eles têm certo
perfil. Nem todo mundo tem o talento ou o interesse em ser empreendedor.
Costumo dizer que, além do senso de oportunidade, o empreendedor precisa ter:
- Coragem, energia, disposição, tenacidade (liderar pelo
exemplo)
- Dois olhos, dois ouvidos, uma boca (ouvir mais
que falar)
- Zero
ego (it´s just business)
- Conhecimento (técnica e experiência, que pode ser
contratada)
- Competência em Governança (criar uma identidade
forte para dentro e fora)
Tem que ter um certo destemor, como um dos meus
heróis preferidos, o Deadpool!
Mas ser Deadpool é meio complicado pra muita gente...
Fica aqui a reflexão: vamos falar mais do
carreirismo?


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